As origens do álcool · Episódio 1.3

Egito: beber com os deuses

Mindrink ScienceEpisódio 1.3História baseada em investigação

Prazer, advertências e embriaguez sagrada no antigo Egito

Numa pintura tumular tebana do século XIV a.C., uma mulher oferece vinho ao escultor Nebamun, sentado entre familiares. A inscrição convida-o: «Bebe e passa um dia feliz!» A taça pertence ao convívio e aos prazeres de uma vida que Nebamun desejava prolongar depois da morte.[1]

Fac-símile de Nina de Garis Davies de uma mulher a oferecer vinho ao escultor Nebamun, sentado.
Nebamun recebe vinho no seu túmulo em Tebas, TT181, cerca de 1386–1330 a.C. Fac-símile pintado por Nina de Garis Davies em 1916. Image: The Metropolitan Museum of Art, 30.4.106, Rogers Fund, 1930. Public domain / CC0.

A imagem parece celebrar sem reservas a hospitalidade. Contudo, outras fontes egípcias atribuem à bebida efeitos muito diferentes. Os escribas advertiam contra a humilhação, os ferimentos e o abandono dos deveres; uma inscrição régia dá o nome de «pórtico da embriaguez» a um espaço dedicado a uma deusa; e uma canção religiosa exprime o desejo de embriaguez em sua honra.[9][10][12] Como podia o álcool fazer parte de uma vida desejável, ser reconhecido como perigoso e, ainda assim, ser deliberadamente procurado no culto?

As respostas encontram-se sobretudo em túmulos e templos da região de Tebas, junto da atual Luxor, durante o Império Novo, aproximadamente entre 1550 e 1070 a.C. A estes testemunhos juntam-se advertências literárias e um registo fragmentário proveniente de uma aldeia, fontes que nos aproximam das pessoas que produziam e partilhavam estas bebidas e formulavam juízos sobre elas.

O álcool e a ideia de uma boa vida

A cerveja de todos os dias

Cerca de seis séculos antes do banquete de Nebamun, foi colocado no túmulo do intendente régio Meketre, em Tebas, um modelo em miniatura de uma padaria e cervejaria. No edifício de madeira, com menos de um metro, figuras pintadas trituram e moem cereal, cuidam de cubas e trabalham junto de vários recipientes. O pão e a cerveja são produzidos em divisões contíguas, numa representação datada de cerca de 1980 a.C.[2]

A pequena escala não diminui o trabalho representado. Preparar a bebida exigia tratar o cereal, acompanhar a mistura e encher os recipientes. O conforto de Meketre no além dependia de quem executava essas tarefas. O modelo reduz o local de trabalho a uma miniatura destinada a acompanhar um único homem no túmulo e mantém os trabalhadores ocupados no além para garantir o abastecimento do seu senhor.

A cerveja aparece assim ao lado do pão como uma provisão de que Meketre esperava continuar a precisar. Assegurar o seu fornecimento significava preservar uma vida bem abastecida e confortável. A presença da bebida no túmulo não demonstra, por si só, um desejo de embriaguez; mostra antes quanto valia a pena garantir a continuidade da sua produção.

Figuras de madeira pintada a trabalhar nas divisões contíguas do modelo de padaria e cervejaria de Meketre.
Modelo funerário de uma padaria e cervejaria proveniente do túmulo de Meketre, em Tebas, cerca de 1981–1975 a.C. Image: The Metropolitan Museum of Art, 20.3.12, Rogers Fund and Edward S. Harkness Gift, 1920. Public domain / CC0.

Uma fonte de prazer

Noutros túmulos, a bebida ganha uma vida social mais exuberante. No túmulo de Paheri, em Elkab, junto do Nilo, uma cena do século XV a.C. atribui falas às mulheres de um banquete. Amen-sat recusa uma bebida, mas uma servidora incita-a a celebrar e a beber até ficar embriagada. Outra convidada pede dezoito taças de vinho, declara que quer embriagar-se e explica: «O meu interior está seco como palha!» Noutro diálogo, uma servidora insiste com uma mulher relutante, enquanto uma companheira lhe pede que não estrague o divertimento.[3]

Estas trocas foram compostas para um túmulo, não transcritas de uma conversa escutada. Também as dezoito taças constituem um pedido, não uma contagem do que a convidada realmente bebeu. Ainda assim, a escolha das falas importa. A decoração reúne músicos, uma dançarina e mulheres a bater palmas; nesse ambiente, o vinho acompanha a música e a dança, embora algumas convidadas o desejem e outras hesitem.[3]

Oferecer vinho é um ato de hospitalidade, mas a insistência pode tornar a oferta difícil de recusar. As servidoras transformam a bebida numa questão de comportamento perante o grupo: aceitar a taça surge como uma forma de participar no prazer do encontro. A própria cena, porém, conserva a relutância e não atribui a todas as mulheres o mesmo apetite. A participação social não apaga a recusa individual.

A mulher que pede dezoito taças dispensa qualquer persuasão. O seu desejo de embriaguez é explícito e, nesta composição funerária, aparece integrado na música e no convívio, não como uma interrupção do divertimento. Mas a animação não torna indiferenciadas as pessoas presentes. John Baines observa que algumas são identificadas como falecidas e que a posição social se exprime tanto no tamanho das figuras como nos lugares onde se sentam. As pessoas privilegiadas ocupam cadeiras; outras ficam em esteiras e em grupos separados por género. O vinho circula num espaço em que o estatuto, a família e a presença dos mortos continuam a contar.[8]

O modelo de Meketre assegura a produção e o fornecimento da cerveja. Já a cena de Paheri mostra parentes, servidores, músicos e dançarinos reunidos em torno do vinho. A companhia, tanto como a bebida, fazia parte dos prazeres que a decoração tumular procurava preservar.

Beber em companhia

Uma inscrição do século XII a.C. oferece outra perspetiva sobre o convívio em Deir el-Medina, a aldeia dos trabalhadores que construíam e decoravam os túmulos reais perto de Tebas. Conservado em vários fragmentos que puderam ser unidos e atribuído ao reinado de Ramesses III ou IV, o registo começa com a contribuição de uma mulher chamada Isis e associa a reunião a Hathor. Nomeia pelo menos trinta e três mulheres e três homens; entre as ofertas encontra-se pão, muitas vezes em quantidades de cinco ou dez pães por pessoa.[5][15]

A ocasião exata permanece incerta. Hathor pode ser o nome da deusa ou o de uma mulher; devido ao sinal de uma figura feminina sentada, Heidi Jauhiainen prefere a segunda interpretação, sem que isso constitua uma identificação definitiva.[4][15] A lista também não revela quem compareceu nem se alguém se embriagou. Contribuir para a reunião não prova que se tenha participado nela.

O registo preserva, contudo, algo que as falas pintadas de Paheri não oferecem: aquilo que pessoas identificadas pelo nome deram para um encontro em que se bebia em conjunto. O grupo torna-se visível através dos nomes e das contribuições, não por meio de palavras escolhidas para convidados numa parede tumular.

Duas convidadas e uma rapariga a servir líquido num fac-símile de uma cena do túmulo de Rekhmire.
Convidadas e serviço noutro contexto: fac-símile de Nina de Garis Davies, realizado em 1925, de uma cena do túmulo de Rekhmire, TT100, cerca de 1479–1425 a.C. Esta não é uma representação da reunião de Deir el-Medina.[6] Image: The Metropolitan Museum of Art, 30.4.78, Rogers Fund, 1930. Public domain / CC0.

Os efeitos inquietantes da embriaguez

Os efeitos visíveis do excesso

O prazer da bebida tinha consequências que os artistas não ocultavam. Um pormenor do túmulo tebano de Amenemhat, datado de cerca de 1479–1425 a.C., mostra uma convidada a vomitar para dentro de um recipiente. O catálogo Drink and Be Merry!, do Metropolitan Museum of Art, identifica a cena como uma consequência do consumo excessivo de álcool.[7]

Baines discute um episódio distinto, no túmulo de Djeserkareseneb, cerca de 1400 a.C. Nesse banquete, é um homem que vomita para um recipiente fornecido para esse fim. Segundo o investigador, o comportamento podia caber no que se aceitava naquela ocasião, e a sua inclusão talvez conferisse humor à cena. O contraste entre as poses contidas dos participantes e os efeitos desordenados da bebida pode não ter sido inteiramente sério.[8]

Se esta interpretação estiver correta, o homem que vomita continua integrado numa representação que celebra o convívio. A perda do controlo corporal podia ser reconhecida, e talvez considerada divertida, sem transformar o banquete numa lição contra a bebida. O recipiente preparado para esse fim sugere que até o vómito tinha lugar no banquete tal como o pintor o apresenta. Isso não torna o comportamento admirável. Mostra apenas que representar o excesso não equivale necessariamente a condená-lo.

Dois desenhos históricos de mulheres a vomitar num banquete egípcio, uma junto de companheiras sentadas e outra amparada por uma servidora.
Mulheres indispostas num banquete. Desenhos do século XIX baseados em decoração tumular tebana, publicados por John Gardner Wilkinson em 1837, vol. II, xilogravuras 146–147, e reproduzidos por H. F. Lutz em 1922, p. 99, figuras 22–23. São imagens históricas de comparação, não a cena específica de Amenemhat acima discutida.[16] Image: drawings after John Gardner Wilkinson; source scan, printed p. 99, via Wikimedia Commons. Public domain. Cropped to the two drawings; no retouching.

Discernimento e dignidade

A Instrução de Ani abandona essa possível comicidade. O texto aconselha o leitor a não exagerar na cerveja: o excesso leva-o a pronunciar palavras desonrosas sem ter consciência delas, a cair e a ferir-se. Ninguém lhe estende a mão; até os companheiros com quem bebia se levantam e se afastam.[9]

A advertência diz respeito tanto à má conduta como à vulnerabilidade. O orador teme aquilo que o bebedor dirá, o que acontecerá ao seu corpo e a reação dos outros. A companhia que torna a bebida atraente revela-se pouco fiável quando chega o momento de prestar auxílio. Os convites joviais inscritos no túmulo de Paheri não garantem a solidariedade que o convívio parece prometer: partilhar uma bebida não assegura apoio quando alguém já não consegue cuidar de si.

A obra pertence a uma tradição de instruções sobre a maneira correta de viver e de se comportar. O manuscrito Boulaq que a preserva data da XXI Dinastia, aproximadamente dos séculos XI–X a.C., embora se considere que a composição seja anterior. Não se trata de um registo de incidentes reais ligados à bebida. O autor escolhe um desfecho alarmante — palavras vergonhosas, ferimentos e abandono — para tornar o conselho persuasivo.[9]

Responsabilidades esquecidas

No Papiro Anastasi IV, cerca de 1200 a.C., a censura dirige-se a um aluno que não corresponde às exigências da educação de um escriba. O jovem abandonou a escrita em favor do prazer e vagueia a cheirar a cerveja. Compará-lo a um barco com o aparelho de governo defeituoso é acusá-lo de já não se orientar como deveria.[10]

O orador denuncia também o vinho e exorta o aluno a abandonar a bebida. O conselho vai muito além de beber menos durante o trabalho. A sua intransigência contrasta com os convites inscritos nas paredes do túmulo de Paheri, onde beber até à embriaguez podia fazer parte do divertimento.[10]

Neste caso, a bebida substituiu a disciplina esperada de um futuro escriba. A fonte é uma admoestação literária, não o processo disciplinar de um aluno historicamente identificado, mas as expectativas da formação explicam a força da censura. Aquilo que a convidada de Paheri procura como prazer surge, aos olhos do admoestador, como desperdício das capacidades que o jovem deveria cultivar.

As imagens e os textos podiam, portanto, atribuir sentidos diferentes à perda de controlo. Num banquete, os seus efeitos físicos talvez integrassem o humor da ocasião; na repreensão, tornam-se parte de uma acusação e o aluno é instado a mudar. Ani transforma a fala descontrolada, os ferimentos e o abandono em razões para temer o excesso. Era possível reconhecer o lado cómico da situação de um bebedor e, ao mesmo tempo, dar força à reprovação. A diferença está em saber se o sofrimento aparece como um episódio da celebração ou como argumento para corrigir uma conduta.

O significado sagrado da embriaguez

A embriaguez salva a humanidade

Na narrativa conhecida como A Destruição da Humanidade, Ra envelhece e os seres humanos revoltam-se contra ele. O deus envia a sua filha Hathor para castigar os rebeldes. Quando decide poupar os sobreviventes, ordena que se misture cerveja com ocre vermelho e que o líquido seja espalhado pela terra. Hathor bebe a cerveja cor de sangue até ficar embriagada, e a matança termina.[11]

O episódio faz parte do Livro da Vaca Celeste. A versão sobrevivente mais completa foi inscrita no túmulo do faraó Seti I, no século XIII a.C., embora os acontecimentos narrados pertençam ao tempo divino. No seu conjunto, a obra explica a separação entre deuses e seres humanos e a reorganização do cosmos.[11]

Para as pessoas ameaçadas por Hathor, a intoxicação da deusa suspende a violência. A cerveja muda o seu estado e, com ele, o destino da humanidade. A perda de controlo adquire assim uma finalidade salvadora, muito diferente do papel que desempenha nas advertências dos escribas: impede uma potência divina perigosa de continuar a causar dano. O mito não é, porém, um registo de uma cerimónia humana de bebida, mas uma narrativa religiosa sobre deuses e sobre a ordem do mundo.

Um lugar sagrado para a embriaguez

Entre 2004 e 2007, uma expedição da Johns Hopkins University, com participação egípcia, encontrou tambores de coluna sob o lado ocidental do templo de Mut, no sul de Karnak, em Tebas. As secções pertenciam a um edifício associado a Hatshepsut e Thutmose III, datado da década de 1470 a.C. Na tradução de Betsy Bryan, a dedicação declara que Hatshepsut fez para Mut um «pórtico da embriaguez» provido de colunas.[12]

O que sobreviveu foram fragmentos arquitetónicos com um nome notável, não um salão intacto onde se possa reconstituir uma festa. A inscrição também não descreve as cerimónias ali realizadas. Ainda assim, a dedicação régia atribui à embriaguez um lugar no templo de Mut. Ao contrário da repreensão ao aluno, não a associa à desgraça, mas a algo que uma governante considerou digno de oferecer a uma deusa.

A divindade honrada neste templo é Mut, não a Hathor do mito. Mut estava, porém, estreitamente associada a Sakhmet, a deusa com cabeça de leoa cujos poderes tanto podiam ferir como proteger. As numerosas estátuas de Sakhmet produzidas durante o reinado de Amenhotep III, no século XIV a.C., têm sido interpretadas como parte de um esforço continuado para apaziguar essa força perigosa.[13]

Estátua sentada de Sakhmet com cabeça de leoa.
Sakhmet, reinado de Amenhotep III, cerca de 1386–1347 a.C. Image: The Metropolitan Museum of Art, 15.8.2, Gift of Henry Walters, 1915. Public domain / CC0.

Um calendário festivo da época ptolemaica, mais de um milénio posterior a Hatshepsut, descreve cerveja tingida de vermelho que alegra o coração de Mut e a afasta da cólera. Também aqui uma bebida colorida apazigua uma deusa perigosa. A comparação é sugestiva, mas o calendário tardio não fornece o programa exato do pórtico, assim como o mito não demonstra que ali se reencenasse a embriaguez de Hathor. O edifício de Hatshepsut é ainda anterior às cópias sobreviventes do Livro da Vaca Celeste, embora a história possa ser mais antiga.[11][12]

Beber juntos nas festas religiosas

Uma canção inscrita no túmulo TT78, no início do século XIV a.C., aproxima-nos de vozes humanas que desejam a embriaguez em contexto religioso. O Horemheb sepultado neste túmulo era um escriba militar que viveu durante o reinado de Thutmose IV, não o faraó posterior com o mesmo nome. A composição fala de celebração, adorno e alegria. Na tradução de Betsy Bryan, anuncia o regresso de Mut e apresenta as tocadoras de sistro «desejosas de se embriagar bebendo de uma taça de ouro».[12]

O sistro era um chocalho ritual que se tocava agitando-o.[14] Os apelos da canção ao adorno e à participação alegre dão sentido ao desejo das musicistas: não se trata apenas de servir uma bebida. A embriaguez é esperada como parte da celebração no regresso da deusa.

Betsy Bryan interpreta canções deste tipo como indício de que as pessoas procuravam, através da intoxicação, encontros com uma deusa e, nas celebrações funerárias, com os mortos. Nesta leitura, o estado alterado prometia uma aproximação a seres fora do alcance humano quotidiano. A embriaguez podia assim servir uma aspiração religiosa, em vez de constituir apenas a interrupção dos deveres censurada pela repreensão escribal. Trata-se de uma interpretação das expectativas dos celebrantes, não da prova de que cada participante tenha vivido um encontro com o divino ou com os mortos.[12]

A canção, o mito e a dedicação não descrevem uma única cerimónia. A primeira exprime um desejo humano; o segundo narra o que acontece a uma deusa; a terceira dá nome a um edifício. A canção também não identifica o pórtico de Hatshepsut como o lugar da celebração. Consideradas nas suas diferenças, porém, estas fontes atribuem à intoxicação um lugar na vida religiosa que as advertências contra o excesso não deixariam entrever. Cada uma liga, à sua maneira, a embriaguez ao poder divino e às esperanças humanas.

O culto era também uma experiência social. Reunia pessoas e exigia música, serviço de bebida e trabalho. O prazer da companhia podia acompanhar o desejo de favor divino: procurar uma deusa e desfrutar da presença de outras pessoas não tinham de ser finalidades concorrentes. Durante as festas, as procissões podiam levar imagens divinas para fora dos santuários restritos e fazê-las passar por percursos acessíveis a um público mais vasto, embora os espaços interiores dos templos permanecessem fechados à maioria.[7]

Essa dimensão coletiva não elimina as desigualdades das fontes. O modelo de Meketre mostra cervejeiros a trabalhar, mas nada diz sobre o que pensavam da bebida. As palavras dos convidados de Paheri foram escolhidas para eles, e o aluno de escriba recebe uma repreensão sem oportunidade de responder. Os fragmentos de Deir el-Medina permitem apenas um vislumbre de outra reunião. Muitas pessoas produziram, serviram e partilharam bebidas sem deixar um relato que tenha chegado até nós.

Conviver com os efeitos do álcool

A taça oferecida a Nebamun promete prazer e companhia. Para o aluno de escriba, perder o domínio de si significa não vir a ser o que se espera que ele seja. Na canção a Mut, pelo contrário, o desejo de embriaguez faz parte da celebração da deusa. A mesma alteração do corpo e da consciência podia, assim, adquirir sentidos diferentes conforme o lugar, a ocasião e aquilo que se esperava do bebedor.

As advertências contra os ferimentos, a humilhação e as responsabilidades abandonadas não perdem força diante da canção religiosa. Uma delas imagina o bebedor caído e privado de ajuda; na interpretação de Betsy Bryan, os celebrantes esperavam aproximar-se do divino. O significado sagrado não anulava o perigo. Revela antes que a própria alteração da consciência que tornava a embriaguez inquietante noutros contextos podia constituir uma razão para a procurar no culto.

Referências

  1. The Metropolitan Museum of Art. Nebamun Receiving Wine, 30.4.106. Nina de Garis Davies, fac-símile de 1916; original em TT181, cerca de 1386–1330 a.C. Ficha do objeto. O convite inicial segue a tradução inglesa do museu.
  2. The Metropolitan Museum of Art. Model Bakery and Brewery from the Tomb of Meketre, 20.3.12, cerca de 1981–1975 a.C. Ficha do objeto.
  3. Tylor, J. J., and F. Ll. Griffith. The Tomb of Paheri at El Kab. London: Egypt Exploration Fund, 1894, pp. 23–26, em especial p. 25, estampa VII. Publicado com Ahnas el Medineh, de Édouard Naville. Edição conservada numa universidade.
  4. Donker van Heel, Koenraad. “Women Can Party Too.” In Mrs. Naunakhte & Family: The Women of Ramesside Deir al-Medina. Cairo: American University in Cairo Press, 2016, pp. 137–148. Resumo da editora, que apresenta interpretações alternativas da reunião.
  5. Demarée, Rob, Kathrin Gabler, and Stéphane Polis. “A family affair in the community of Deir el-Medina: gossip girls in two 19th dynasty letters.” In Svenja A. Gülden, Tobias Konrad, and Ursula Verhoeven, eds., Ägyptologische „Binsen“-Weisheiten IV: Hieratisch des Neuen Reiches: Akteure, Formen und Funktionen. Stuttgart: Franz Steiner Verlag, 2022, pp. 43–126, em especial p. 105 e notas 195–196. Registo institucional; artigo de acesso aberto. Óstraco reconstituído: O. Cairo CG 25705 + O. IFAO 1322 + O. Varille 38 + O. DeM 10363.
  6. The Metropolitan Museum of Art. Women at a Banquet, 30.4.78. Nina de Garis Davies, fac-símile de 1925; original no túmulo de Rekhmire, TT100, cerca de 1479–1425 a.C. Ficha do objeto.
  7. Stünkel, Isabel. Drink and Be Merry!. Catálogo da apresentação temporária da coleção, 2019–2021. The Metropolitan Museum of Art. Catálogo, em especial p. 1 da paginação impressa / p. 6 do PDF.
  8. Baines, John. “Not Only with the Dead: Banqueting in Ancient Egypt.” Studia Universitatis Babeş-Bolyai, Historia, 2014, pp. 1–34, em especial pp. 8–9. Registo no Oxford Research Archive; cópia do artigo de acesso livre.
  9. Dils, Peter. Die Lehre des Ani, papyrus Boulaq 4, versão B. Thesaurus Linguae Aegyptiae. Texto e informação sobre o manuscrito; 17.6–17.9, frases 83–90. O texto português segue a paráfrase inglesa da tradução alemã do corpus.
  10. Dils, Peter. Vorwürfe an einen Schreibschüler mit zügellosem Verhalten, Papyrus Anastasi IV, recto 11.8–12.5, British Museum EA10249. Thesaurus Linguae Aegyptiae. Texto e informação sobre o manuscrito; traduções das frases, em especial 11.8–12.2. O texto português segue a paráfrase inglesa da tradução alemã do corpus.
  11. Guilhou, Nadine. “Myth of the Heavenly Cow.” UCLA Encyclopedia of Egyptology, 2010. Estudo, testemunhos e edições do texto, em especial a análise da narrativa e do ritual.
  12. Bryan, Betsy M. The Altered State of Religion: Sekhmet and Ritual Revelries in the Reign of Amenhotep III. Conferência no American Research Center in Egypt, 30 de setembro de 2020. Transcrição, PDF pp. 2–4 sobre a inscrição do templo de Mut e o calendário festivo posterior, e p. 8 sobre a canção de Horemheb. A canção de TT78 segue a tradução de Bryan do texto publicado por Annelies e Artur Brack, Das Grab des Haremheb: Theben Nr. 78, 1980, estampa 32a.
  13. The Metropolitan Museum of Art. Statue of the Goddess Sakhmet, 15.8.2, reinado de Amenhotep III, cerca de 1386–1347 a.C. Ficha do objeto.
  14. The Metropolitan Museum of Art. Arc sistrum of Tapenu, chantress of Sobek of Khenyt, 68.44. Ficha do objeto e explicação do instrumento.
  15. Jauhiainen, Heidi. “Do Not Celebrate Your Feast Without Your Neighbours”: A Study of References to Feasts and Festivals in Non-Literary Documents from Ramesside Period Deir el-Medina. Tese de doutoramento, Universidade de Helsínquia, 2009, pp. 259 e 281. Registo universitário; tese integral.
  16. Wilkinson, John Gardner. Manners and Customs of the Ancient Egyptians, vol. II. London, 1837, p. 167, xilogravuras 146–147. Edição original e registo de domínio público. Reproduzido em Henry Frederick Lutz, Viticulture and Brewing in the Ancient Orient (Leipzig: J. C. Hinrichs, 1922), p. 99, figuras 22–23. Fonte da reprodução recortada.

As quatro ilustrações do Metropolitan Museum estão identificadas como de domínio público nas fichas do museu e estão disponíveis ao abrigo da sua política de acesso aberto / CC0. Os desenhos históricos baseados em Wilkinson são uma reprodução de domínio público, com crédito separado.